Hidrogel no Joelho: Riscos, Efeitos Colaterais e Segurança (o que é comum vs sinal de alerta)
A infiltração com hidrogel no joelho é um procedimento minimamente invasivo usado em casos selecionados (principalmente em contextos de desgaste/artrose) para ajudar no controle da dor e melhora da função. Como qualquer procedimento intra-articular, ela pode causar efeitos colaterais transitórios — e, mais raramente, complicações que exigem avaliação médica rápida.
O objetivo desta página é explicar, de forma bem prática:
- o que é comum e esperado nas primeiras horas/dias;
- o que não é normal e deve ser tratado como sinal de alerta;
- como tornar o pós-procedimento mais confortável e seguro.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui consulta. Em caso de sinais de alerta, procure atendimento.
Leia também (página principal do tratamento):
https://otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/hidrogel-no-joelho/
Resumo rápido: comum vs sinal de alerta
O que costuma ser comum (monitorar e cuidar em casa)
- Dor leve a moderada no joelho nas primeiras horas/dias
- Sensação de “pressão” ou “joelho cheio”
- Inchaço discreto
- Rigidez leve
- Pequeno hematoma no local da aplicação
- Sintomas que tendem a melhorar dia após dia
Sinais de alerta (avaliar com urgência)
- Febre ou calafrios
- Dor forte e progressiva (piora rápida, dificuldade importante para apoiar ou dobrar o joelho)
- Vermelhidão intensa e calor local importante
- Inchaço grande que aumenta ou não melhora
- Mal-estar relevante, prostração, sensação de “doença”
Efeitos colaterais mais comuns: o que esperar
Dor e sensibilidade no joelho
É comum sentir desconforto nas primeiras horas após a infiltração e, em alguns casos, por alguns dias.
O mais importante é a tendência: deve ir melhorando gradualmente.
Quando preocupar: se a dor fica muito forte, piora progressivamente ou impede apoiar o pé.
Inchaço leve e sensação de pressão
Algum inchaço ou “peso” no joelho pode acontecer, especialmente nas primeiras 24–72 horas.
Na maioria das vezes, é transitório.
Quando preocupar: se o inchaço é grande, piora continuamente, vem com calor local intenso, vermelhidão ou febre.
Rigidez leve
Alguns pacientes relatam rigidez por proteção e por reação local.
Movimentos leves e retorno progressivo às atividades costumam ajudar (seguindo orientação do médico).
Pequeno hematoma (roxo)
Pode aparecer no local da punção, principalmente em quem usa medicamentos que alteram coagulação.
Isso geralmente é benigno, mas deve ser informado ao médico na consulta prévia.
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O que fazer nas primeiras 48 horas (para ficar mais confortável)
As orientações podem variar conforme o caso, mas, de forma geral:
- Evite impacto: corrida, saltos, HIIT, futebol e treinos pesados (primeiras 24–48h)
- Gelo: 10–15 minutos, 2–4x ao dia, se houver dor/inchaço
- Elevação: quando possível, deixe a perna elevada
- Rotina leve: caminhar em casa e movimentar suavemente (sem forçar) costuma ser melhor do que “travar” o joelho
- Evite massagear forte o local da punção nas primeiras horas
- Siga a orientação sobre analgésicos/anti-inflamatórios (não se automedique)
Leia também sobre: Hidrogel vs PRP vs Corticoide no Joelho: comparação por objetivo (dor aguda, médio prazo, manutenção)
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
Procure avaliação médica imediata se ocorrer:
- Febre (principalmente associada a dor no joelho)
- Dor intensa que piora rápido e dificulta apoiar o pé
- Vermelhidão forte, calor no joelho e inchaço importante
- Inchaço grande que não melhora
- Mal-estar significativo, calafrios, prostração
Esses sinais podem aparecer em quadros infecciosos articulares (raros, mas potencialmente graves) e precisam de avaliação rápida para descartar complicações.
Complicações raras (mas importantes)
Infecção articular (artrite séptica)
É rara, mas é uma das complicações mais importantes de reconhecer cedo. Em geral, se apresenta com dor intensa, inchaço importante, calor, limitação marcada do movimento e pode haver febre.
Reações inflamatórias intensas
Em infiltrações, algumas reações inflamatórias podem ocorrer e, às vezes, podem “parecer infecção”. Por isso, sintomas intensos e progressivos devem ser avaliados, sem tentar “esperar passar”.
Na dúvida entre “normal” e “não normal”, a regra é simples: se está piorando, procure avaliação.
Por que o procedimento costuma ser seguro (e o que reduz risco)
A segurança depende de três pilares:
1) Seleção adequada do paciente (antes da infiltração)
O médico costuma checar:
- febre ou infecção ativa no corpo;
- feridas/infecções de pele próximas;
- comorbidades relevantes (ex.: diabetes descompensado, imunossupressão);
- uso de anticoagulantes/antiagregantes (planejamento individual).
2) Técnica estéril e boas práticas
Medidas como antissepsia adequada, materiais estéreis e técnica correta reduzem muito o risco de complicações.
3) Acompanhamento e orientações pós-procedimento
Saber o que é esperado e o que é sinal de alerta ajuda o paciente a agir rápido quando necessário — e evita preocupações desnecessárias quando o efeito é transitório.
Situações especiais: quem precisa de cautela extra
Diabetes, imunossupressão e comorbidades
Podem exigir planejamento mais cuidadoso e acompanhamento mais próximo, por risco potencialmente maior de complicações.
Anticoagulantes/antiagregantes
Em muitos casos é possível realizar procedimentos, mas a decisão é individual.
Nunca suspenda anticoagulantes por conta própria.
Se você está perto de uma cirurgia do joelho (ex.: prótese/artroplastia)
O “timing” de infiltrações deve ser discutido com o cirurgião, pois algumas condutas podem exigir maior cautela dependendo do contexto.
Perguntas frequentes (FAQ)
Hidrogel no joelho dói?
Pode haver desconforto durante e após o procedimento, geralmente leve a moderado e transitório.
Quanto tempo é normal ficar dolorido?
Varia. Em geral, melhora progressiva em dias. Se a dor piora ou fica muito intensa, procure avaliação.
Inchaço depois da infiltração é esperado?
Inchaço leve pode ocorrer. Inchaço grande, com calor local intenso, vermelhidão ou febre é sinal de alerta.
Qual a diferença entre “reação local” e infecção?
Não dá para confirmar apenas “olhando”. Por isso, sintomas fortes e progressivos (principalmente com febre, vermelhidão e calor) precisam de avaliação médica.
Posso trabalhar no mesmo dia?
Muitos pacientes conseguem manter rotina leve, mas isso depende do trabalho, da dor e da orientação médica.
Quando posso voltar a treinar?
Geralmente, após 24–48 horas com retorno progressivo, mas o plano ideal depende do seu caso.
Fontes utilizadas:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11064315/
https://arthrosamid.com/patient
https://www.clinexprheumatol.org/article.asp?a=20140
https://www.oarsijournal.com/article/S1063-4584%2822%2900533-7/pdf
https://clinicaltrials.gov/study/NCT05086068
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/bone-and-joint-infections/symptoms-causes/syc-20350755
https://medlineplus.gov/infectiousarthritis.html
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8458067/
https://www.cdc.gov/injection-safety/hcp/clinical-safety/index.html
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/44298/9789241599252_eng.pdf?sequence=1
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2666991925000028
O Autor
Dr. Otávio Melo é médico ortopedista especialista em joelho na cidade de Belo Horizonte. Com uma abordagem que integra tratamentos inovadores e tecnológicos para a saúde ortopédica, atua na prevenção e tratamento de lesões.
Buscando sempre soluções menos invasivas e focadas na recuperação completa dos pacientes, sua experiência em medicina regenerativa é um diferencial para quem busca resultados duradouros.
Curriculum Resumido
Formação
- Medicina – Faculdade de Ciências Médicas – Belo Horizonte – MG
- Especialização em Cirurgia do Joelho – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
- Pós Graduação – Dr. Lair Ribeiro
- Mestrado em Medicina – Santa Casa de Belo Horizonte
- Doutorado em Saúde Baseada em Evidências (Creditos) – UNIFESP
- Medicina Funcional Integrativa – Dr. Victor Sorrentino
- Clínica da Dor – Hospital das Clínicas da UFMG
- Medicina Regenerativa – UNICAMP
- Fellowship em Cirurgia do Joelho – Hôpital de La Croix Rousse – Lyon – França
- Residência em Ortopedia e Traumatologia – SBOT/MEC – Brasília-DF
- Técnico em Química – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Afiliações
- SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
- SBRATE – Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte
- SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício
- SBCJ – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
- SMBTOC – Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
- SBPML – Sociedade Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal
- ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy
- ISAKOS – International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine
- ICRS – International Cartilage Repair Society
- AAOS – American Academy of Orthopaedic Surgeons
- ABOOM – Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo
- ABPMR – Associação Brasileira de Pesquisa em Medicina Regenerativa
- SBRET – Sociedade Brasileirta de Regeneração Tecidual
- SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia
- ABUM – Associação Brasileira de Ultrassonografia Musculoesquelética
Atuação
- CEO do Instituto Regenius
- Médico Ortopedista
- Segundo-Tenente Médico do Exército Brasileiro (R/2)
- Ex-Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
- Ex-Professor da Faculdade de Ciências Médias de Minas Gerais (CMMG) – Belo Horizonte / MG
- Ex-Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB)