Hidrogel no Joelho: Quanto tempo dura, quando começa a fazer efeito e quantas aplicações

Quando o paciente considera uma infiltração com hidrogel no joelho, quase sempre aparecem três dúvidas:

1) Quando começa a fazer efeito?
2) Quanto tempo dura?
3) Quantas aplicações eu vou precisar?

A resposta curta é: varia de pessoa para pessoa e depende do quadro do joelho, do tipo de produto/protocolo e do plano de reabilitação (fortalecimento + controle de carga). Nesta página, a ideia é te dar uma visão prática para alinhar expectativas e entender como costuma ser o acompanhamento.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A indicação e o acompanhamento são individualizados.

Leia também (página principal do tratamento):
https://otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/hidrogel-no-joelho/

Resumo rápido (para quem quer ir direto ao ponto)

  • Quando começa a fazer efeito: geralmente é progressivo. Muitos pacientes percebem melhora ao longo de semanas, e é comum avaliar melhor a resposta entre 4 e 12 semanas.
  • Quanto pode durar: costuma ser pensado em meses. Em estudos com alguns tipos específicos de hidrogel (iPAAG/PAAG), há acompanhamento mostrando melhora sustentada em prazos mais longos em parte dos pacientes — mas isso não é garantia e depende do perfil.
  • Quantas aplicações: depende do produto. Em protocolos estudados com iPAAG (ex.: Arthrosamid), frequentemente a proposta é dose única, com reavaliação e planejamento do longo prazo. Em outros contextos, pode haver necessidade de repetir ou optar por outra estratégia.

Quando começa a fazer efeito do hidrogel no joelho

O que é importante entender antes

O hidrogel não é um “remédio instantâneo” como um anestésico. Em geral, o efeito tende a ser gradual e percebido como:

  • menos dor para caminhar e subir escadas;
  • menos rigidez;
  • mais tolerância a atividades do dia a dia;
  • melhora para conseguir fazer fortalecimento com mais conforto (quando indicado).

Linha do tempo prática (expectativa realista)

Abaixo está um modelo de “linha do tempo” que ajuda a maioria dos pacientes a não se frustrar cedo demais:

  • Primeiras 24–72 horas:
    Pode haver desconforto local, sensação de “pressão” ou inchaço leve por conta do procedimento. Isso não significa que “não funcionou”.

  • 1 a 4 semanas:
    Parte dos pacientes já percebe alguma mudança, mas ainda é cedo para concluir o resultado.

  • 4 a 12 semanas:
    É uma janela muito comum para notar melhora mais consistente e para o médico conseguir avaliar resposta com mais clareza.

  • Após 12 semanas:
    Se houve resposta, o foco costuma ser consolidar o ganho com reabilitação, controle de carga e plano de manutenção.

Quando considerar que “não respondeu”

Em geral, vale reavaliar se:

  • não houve melhora perceptível dentro da janela combinada na consulta (muitas vezes entre 8 e 12 semanas), ou
  • a dor está sendo gerada por outro problema que não foi o alvo do tratamento (ex.: instabilidade, sobrecarga importante, dor de origem lombar, etc.), ou
  • o padrão é de piora progressiva (neste caso, não espere “dar tempo” — procure avaliação).

Quanto tempo dura o efeito do hidrogel no joelho

O que “duração” significa na prática

Quando falamos em “durar”, não é “curar a artrose”. Geralmente significa:

  • menos dor no dia a dia,
  • menos crises,
  • melhor função,
  • melhor capacidade de manter rotina e fortalecer.

Em quanto tempo normalmente pensamos?

De forma prática e sem promessas:

  • muitas pessoas pensam em meses de benefício;
  • em alguns produtos/protocolos, há estudos com acompanhamento prolongado mostrando efeito sustentado por períodos maiores em parte dos pacientes.

O ponto-chave é: o seu caso é o seu caso. A duração varia muito conforme os fatores abaixo.

O que pode encurtar o efeito

  • artrose mais avançada / desgaste importante;
  • sobrecarga contínua (impacto, trabalho pesado, treinos sem progressão adequada);
  • desalinhamento importante (varo/valgo) sem correção de estratégia;
  • instabilidade ligamentar relevante;
  • pouca adesão a fortalecimento e mudanças de carga.

O que costuma ajudar a prolongar o ganho

  • fortalecimento (quadríceps e glúteos como base);
  • retorno progressivo ao impacto e melhor gestão de carga semanal;
  • controle de peso (quando indicado);
  • ajuste biomecânico (quadril, core, mobilidade, pisada quando necessário);
  • plano de manutenção (não depender só da infiltração).

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Quantas aplicações são necessárias?

Dose única vs “série”: por que isso varia

“Hidrogel” é um termo amplo. A quantidade de aplicações depende do produto e do protocolo adotado.

  • Em alguns tipos específicos de hidrogel estudados para osteoartrite (como iPAAG), é comum a proposta ser uma aplicação e acompanhamento para medir resposta.
  • Em outros cenários, pode ser discutida repetição ao longo do tempo ou até a combinação com outras estratégias (sempre com critério e planejamento).

Então, como o médico decide se você vai precisar repetir?

Geralmente a decisão considera:

  • quanto você melhorou (dor, função, crises);
  • quanto tempo durou o benefício no seu caso;
  • se o plano de reabilitação foi feito (e como está a força/controle);
  • grau de artrose, alinhamento e padrão de carga;
  • custo-benefício e alternativas disponíveis.

Reavaliações que fazem sentido

Uma rotina prática de acompanhamento costuma incluir:

  • Revisão em 4–6 semanas: checar evolução e ajustar orientações.
  • Revisão em 8–12 semanas: avaliação mais clara de resposta e plano de manutenção.
  • Depois, reavaliações conforme sintomas e objetivos (ex.: retorno ao esporte, rotina de impacto, viagens, etc.).

Por que dois pacientes têm respostas diferentes?

Mesmo com o mesmo diagnóstico (ex.: “artrose no joelho”), o resultado pode variar porque existem muitos “subtipos” de joelho e de paciente.

Fatores do joelho

  • grau de artrose e inflamação/sinovite;
  • alinhamento (varo/valgo);
  • estabilidade (ligamentos);
  • lesões associadas (menisco/cartilagem);
  • padrão de dor (mecânica x inflamatória).

Fatores do paciente

  • IMC/peso e composição corporal;
  • força muscular e mobilidade;
  • rotina de atividade (impacto e carga);
  • comorbidades e medicações;
  • adesão à reabilitação e consistência.

Fatores do tratamento

  • produto/técnica;
  • timing (momento do quadro e do plano de reabilitação);
  • qualidade do plano de fortalecimento e controle de carga.

E se o efeito foi curto (ou “não senti nada”)?

Antes de concluir que “não funcionou”, vale checar:

1) Você teve um incômodo pós-procedimento (dor/inchaço leve nos primeiros dias) e achou que isso era “não funcionar”?
2) Você deu tempo suficiente para a janela esperada (muitas vezes 8–12 semanas)?
3) O diagnóstico alvo estava correto (ou existe outra causa principal para a dor)?
4) Houve reabilitação e controle de carga ou o joelho continuou em sobrecarga?

Se mesmo assim não houve resposta, o caminho costuma ser:

  • reavaliar o diagnóstico;
  • ajustar reabilitação e biomecânica;
  • discutir alternativas (incluindo outras infiltrações e, em casos selecionados, cirurgia).

Perguntas frequentes (FAQ)

Em quantos dias eu vou sentir melhora?

Alguns pacientes percebem melhora em semanas. É comum avaliar a resposta com mais clareza entre 4 e 12 semanas.

Quanto tempo dura o hidrogel no joelho?

Em geral, fala-se em meses, mas a duração varia por perfil do joelho, grau de artrose, alinhamento, carga, peso e adesão à reabilitação.

É dose única? Vou precisar repetir?

Depende do produto/protocolo. Em alguns tipos específicos, é comum ser dose única com acompanhamento. Repetição é decisão individual baseada em resposta e planejamento.

Se eu não sentir nada em 2 semanas, deu errado?

Não necessariamente. Em muitos casos, ainda é cedo. O ideal é seguir o acompanhamento e reavaliar dentro da janela combinada com o especialista.

Posso treinar enquanto faz efeito?

Em geral, é recomendado evitar impacto nas primeiras 24–48h e voltar progressivamente. O plano ideal depende do seu quadro e deve ser orientado pelo médico/fisioterapeuta.

Hidrogel substitui fisioterapia?

Não. Em geral, o melhor resultado vem quando infiltração (quando indicada) é combinada com fortalecimento e controle de carga.

Fontes utilizadas:

https://www.oarsijournal.com/article/S1063-4584%2821%2900403-9/fulltext

https://arthrosamid.ams3.cdn.digitaloceanspaces.com/new-uploads/Clinical-Articles/Polyacrylamide-hydrogel-injection-for-knee-osteoarthritis-results-of-a-52-week-prospective-study-OARSI-Journal.pdf

https://www.oarsijournal.com/article/S1063-4584%2822%2900533-7/fulltext

https://www.oarsijournal.com/article/S1063-4584%2824%2901047-1/fulltext

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41487107/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38525999/

https://www.clinexprheumatol.org/article.asp?a=20140

https://clinicaltrials.gov/study/NCT05086068

 

O Autor

Dr. Otávio Melo é médico ortopedista especialista em joelho na cidade de Belo Horizonte. Com uma abordagem que integra tratamentos inovadores e tecnológicos para a saúde ortopédica, atua na prevenção e tratamento de lesões.

Buscando sempre soluções menos invasivas e focadas na recuperação completa dos pacientes, sua experiência em medicina regenerativa é um diferencial para quem busca resultados duradouros.

Curriculum Resumido

  • Medicina – Faculdade de Ciências Médicas – Belo Horizonte – MG
  • Especialização em Cirurgia do Joelho – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • Pós Graduação – Dr. Lair Ribeiro
  • Mestrado em Medicina – Santa Casa de Belo Horizonte
  • Doutorado em Saúde Baseada em Evidências (Creditos) – UNIFESP 
  • Medicina Funcional Integrativa – Dr. Victor Sorrentino
  • Clínica da Dor – Hospital das Clínicas da UFMG
  • Medicina Regenerativa – UNICAMP
  • Fellowship em Cirurgia do Joelho – Hôpital de La Croix Rousse – Lyon – França
  • Residência em Ortopedia e Traumatologia – SBOT/MEC – Brasília-DF
  • Técnico em Química – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
  • SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
  • SBRATE – Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte
  • SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício
  • SBCJ – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • SMBTOC – Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
  • SBPML – Sociedade Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal
  • ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy
  • ISAKOS – International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine
  • ICRS – International Cartilage Repair Society
  • AAOS – American Academy of Orthopaedic Surgeons
  • ABOOM – Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo
  • ABPMR – Associação Brasileira de Pesquisa em Medicina Regenerativa
  • SBRET – Sociedade Brasileirta de Regeneração Tecidual
  • SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia
  • ABUM – Associação Brasileira de Ultrassonografia Musculoesquelética
  • CEO do Instituto Regenius
  • Médico Ortopedista 
  • Segundo-Tenente Médico do Exército Brasileiro (R/2)
  • Ex-Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
  • Ex-Professor da Faculdade de Ciências Médias de Minas Gerais (CMMG) – Belo Horizonte / MG
  • Ex-Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB)
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