Hidrogel no Joelho: Indicações e Contraindicações

A infiltração no joelho é uma alternativa minimamente invasiva usada para ajudar no controle da dor e na melhora da função em casos selecionados — especialmente quando há sinais de desgaste articular (artrose/osteoartrite) e o paciente já tentou medidas como fisioterapia, fortalecimento e ajustes de carga.

O hidrogel (em termos simples) é um material em “gel” aplicado dentro da articulação com o objetivo de melhorar o ambiente articular e contribuir para redução de sintomas em alguns perfis. O ponto principal é que não existe uma indicação “igual para todo mundo”: a decisão depende do diagnóstico, do exame físico, dos objetivos do paciente e de fatores de risco.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A indicação precisa ser individualizada após avaliação com especialista.

Leia também (página principal do tratamento):
Hidrogel no Joelho (guia completo): https://otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/hidrogel-no-joelho/

O que significa “ser indicado” (e por que isso muda de pessoa para pessoa)

Dizer que um tratamento “é indicado” significa que, para aquele paciente, há uma expectativa razoável de benefício (dor/função) com riscos aceitáveis.

Na prática, a resposta a infiltrações pode variar bastante conforme:

  • Grau de artrose e presença de inflamação/derrame;
  • Alinhamento e estabilidade do joelho;
  • IMC/peso e padrão de sobrecarga;
  • Força muscular (principalmente quadríceps e glúteos);
  • Nível de atividade e objetivos (caminhar, trabalhar, treinar, etc.);
  • Tratamentos prévios e resposta.

Indicações: quando o hidrogel no joelho pode ser considerado

Abaixo estão cenários comuns em que o hidrogel pode entrar como parte do tratamento em casos selecionados.

Artrose (osteoartrite) com sintomas persistentes (geralmente leve a moderada)

O cenário mais frequente é o paciente com artrose que apresenta:

  • Dor e rigidez recorrentes;
  • Limitação para caminhar, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé;
  • Sintomas que persistem apesar de tratamento conservador bem feito (ex.: fortalecimento, fisioterapia, controle de carga e rotina de autocuidado).

Conteúdo complementar (doença):
Artrose no Joelho: https://otaviomelo.com.br/doencas-do-joelho/artrose-osteoartrite-no-joelho/

Quando o objetivo é “abrir caminho” para reabilitação

Em alguns casos, o hidrogel pode ser considerado para:

  • Reduzir dor a ponto de permitir melhor adesão ao fortalecimento;
  • Facilitar retorno progressivo às atividades;
  • Diminuir crises que impedem a continuidade da fisioterapia.

Importante: infiltração pode ajudar sintomas, mas não substitui reabilitação quando ela é necessária.

Pacientes que desejam adiar cirurgia (quando isso é possível)

Há situações em que o paciente quer ou precisa ganhar tempo antes de uma cirurgia (por preferência pessoal, planejamento, comorbidades, etc.). Nesses casos, infiltrações podem ser discutidas como estratégia de controle de sintomas — sempre com expectativas realistas e reavaliação periódica.

Casos selecionados com dor relacionada a cartilagem/menisco degenerativo

Alterações degenerativas do menisco e lesões condrais podem coexistir com desgaste articular e contribuir para dor. Em alguns perfis, infiltrações entram como parte do plano.
O ponto-chave é: nem toda dor por menisco/cartilagem melhora com infiltração — o diagnóstico e a definição do alvo do tratamento importam.

Leituras úteis:

“Quem tem mais chance de responder?” (sem promessas)

Sem criar promessas, alguns fatores costumam favorecer resultados melhores com tratamentos conservadores e infiltrações em geral:

  • Artrose não muito avançada;
  • Melhor controle de peso/sobrecarga;
  • Boa estratégia de fortalecimento e biomecânica;
  • Expectativa alinhada: reduzir dor e melhorar função, não “curar” artrose;
  • Acompanhamento e reavaliação.

AGENDE SUA CONSULTA

Contraindicações: quando o hidrogel geralmente NÃO é indicado

As contraindicações podem variar conforme o produto e o contexto clínico, mas existem pontos que, na prática, costumam ser tratados como não fazer / adiar até resolver a causa.

Suspeita de infecção (no joelho ou no corpo)

  • Febre, calafrios, mal-estar importante;
  • Vermelhidão intensa, calor local importante;
  • Feridas/infecções de pele próximas ao local de aplicação;
  • Suspeita de infecção articular.

Nesses cenários, a prioridade é investigar e tratar a possível infecção antes de considerar qualquer procedimento intra-articular.

Alergia/hipersensibilidade a componentes do produto

Se houver histórico de reações alérgicas relevantes, isso deve ser informado antes do procedimento. O médico decide a segurança caso a caso.

Situações locais que aumentam risco (precisam avaliação)

  • Dermatites, lesões ou inflamações importantes na pele ao redor;
  • Grande derrame/inflamação aguda sem diagnóstico esclarecido;
  • Dor com sinais de alerta (trauma importante, incapacidade de apoiar, deformidade, febre).

Presença de material/procedimentos prévios no joelho (precisa triagem)

Dependendo do caso, pode ser necessário cuidado especial quando há:

  • Cirurgia recente;
  • Material/implantes na articulação;
  • Prótese (artroplastia).

Isso não significa “proibido automaticamente”, mas exige avaliação criteriosa.

Contraindicações relativas e precauções (não é “sim/não” automático)

Aqui entram situações em que o médico precisa ponderar risco-benefício e, às vezes, ajustar conduta.

Uso de anticoagulantes e distúrbios de coagulação

Muitos pacientes usam anticoagulantes. Em geral, procedimentos articulares podem ser realizados em casos selecionados, mas:

  • o risco de sangramento/hematoma pode ser maior;
  • pode ser necessário ajuste, avaliação do INR (no caso de varfarina) e alinhamento com o médico assistente;
  • a decisão é individual.

Importante: nunca suspenda anticoagulante por conta própria.

Doenças autoimunes, imunossupressão e comorbidades relevantes

Pacientes imunossuprimidos ou com algumas doenças crônicas podem precisar de:

  • planejamento mais cuidadoso;
  • avaliação de risco infeccioso;
  • definição do melhor momento para o procedimento.

Gravidez e lactação

A decisão depende do produto e do cenário clínico. Nesses casos, o médico avalia segurança e necessidade com maior cautela.

Como o médico decide se você é candidato

Uma boa indicação depende de um conjunto de informações, não apenas do “nome do tratamento”.

1) Entender a causa da dor

Na consulta, o especialista avalia:

  • padrão da dor (mecânica, inflamatória, pós-esforço);
  • presença de inchaço/derrame;
  • travamentos, estalos, sensação de falha/instabilidade;
  • limitações funcionais e objetivos do paciente.

2) Exame físico do joelho

O exame ajuda a identificar:

  • alinhamento, estabilidade ligamentar;
  • sinais meniscais;
  • pontos de dor e amplitude de movimento;
  • força e controle do membro inferior.

3) Exames complementares (quando necessário)

  • Radiografia (muito útil para grau de artrose);
  • Ressonância (quando há suspeitas que mudam conduta, como lesão condral/meniscal específica);
  • Outros exames se houver suspeita de inflamação sistêmica/infecciosa.

Riscos e efeitos colaterais: o que é comum e o que é sinal de alerta

Todo procedimento tem riscos. Em geral, efeitos leves podem ocorrer, como:

  • desconforto local nas primeiras horas/dias;
  • sensação de pressão;
  • inchaço leve;
  • pequeno hematoma.

Leia também sobre: Hidrogel vs Ácido Hialurônico no Joelho: Diferenças reais e quando cada um faz sentido

Sinais de alerta (procure atendimento)

  • febre;
  • dor intensa e progressiva;
  • vermelhidão forte e calor local importante;
  • inchaço importante que não melhora;
  • mal-estar relevante.

Expectativas realistas: duração e resultado variam

Alguns estudos observam melhora de sintomas por meses e, em determinados grupos, efeitos mais prolongados — mas a resposta não é igual para todos.

A duração do benefício pode variar com:

  • grau de artrose e inflamação;
  • alinhamento e estabilidade;
  • IMC/peso e sobrecarga;
  • força muscular e adesão à reabilitação;
  • nível de atividade e padrão de impacto.

Nota sobre evidências e indicação: recomendações sobre infiltrações podem variar entre diretrizes e sociedades médicas, e a resposta do paciente também é individual. Por isso, o mais importante é definir a estratégia com base no diagnóstico, no grau de artrose, no padrão de sintomas e nos objetivos do tratamento, alinhando expectativas de forma realista.

Fontes utilizadas:

https://www.oarsijournal.com/article/S1063-4584%2821%2900403-9/fulltext 
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41487107/
https://arthrosamid.com/patient 
https://arthrosamid.ams3.cdn.digitaloceanspaces.com/uploads/downloads/CAr2106_6_Patient_Brochure_EN_DIGITAL_2022-08-26.pdf 
https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2002/0715/p283.html 
https://www.ser.es/wp-content/uploads/2021/10/annrheumdis-2021.pdf 
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28778256/ 

O Autor

Dr. Otávio Melo é médico ortopedista especialista em joelho na cidade de Belo Horizonte. Com uma abordagem que integra tratamentos inovadores e tecnológicos para a saúde ortopédica, atua na prevenção e tratamento de lesões.

Buscando sempre soluções menos invasivas e focadas na recuperação completa dos pacientes, sua experiência em medicina regenerativa é um diferencial para quem busca resultados duradouros.

Curriculum Resumido

  • Medicina – Faculdade de Ciências Médicas – Belo Horizonte – MG
  • Especialização em Cirurgia do Joelho – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • Pós Graduação – Dr. Lair Ribeiro
  • Mestrado em Medicina – Santa Casa de Belo Horizonte
  • Doutorado em Saúde Baseada em Evidências (Creditos) – UNIFESP 
  • Medicina Funcional Integrativa – Dr. Victor Sorrentino
  • Clínica da Dor – Hospital das Clínicas da UFMG
  • Medicina Regenerativa – UNICAMP
  • Fellowship em Cirurgia do Joelho – Hôpital de La Croix Rousse – Lyon – França
  • Residência em Ortopedia e Traumatologia – SBOT/MEC – Brasília-DF
  • Técnico em Química – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
  • SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
  • SBRATE – Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte
  • SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício
  • SBCJ – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • SMBTOC – Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
  • SBPML – Sociedade Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal
  • ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy
  • ISAKOS – International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine
  • ICRS – International Cartilage Repair Society
  • AAOS – American Academy of Orthopaedic Surgeons
  • ABOOM – Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo
  • ABPMR – Associação Brasileira de Pesquisa em Medicina Regenerativa
  • SBRET – Sociedade Brasileirta de Regeneração Tecidual
  • SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia
  • ABUM – Associação Brasileira de Ultrassonografia Musculoesquelética
  • CEO do Instituto Regenius
  • Médico Ortopedista 
  • Segundo-Tenente Médico do Exército Brasileiro (R/2)
  • Ex-Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
  • Ex-Professor da Faculdade de Ciências Médias de Minas Gerais (CMMG) – Belo Horizonte / MG
  • Ex-Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB)
Fale Conosco