Hidrogel vs PRP vs Corticoide no Joelho: comparação por objetivo (dor aguda, médio prazo, manutenção)

Antes de comparar: o que as infiltrações realmente fazem (e o que não fazem)

Quando falamos em injeções/infiltrações no joelho, a ideia geralmente não é “curar” a artrose ou “regenerar” cartilagem — e sim controlar sintomas (dor, rigidez, crises) para melhorar função e permitir que o tratamento base funcione melhor.

Na maioria dos casos, o que mais muda a trajetória do joelho no dia a dia é:

  • fortalecimento (especialmente quadríceps e glúteos)
  • controle de carga (impacto, volume, técnica de treino)
  • peso/IMC, sono e rotina de atividade
  • correção de fatores biomecânicos quando indicado

As infiltrações entram como ferramenta: podem ajudar a “abrir uma janela” de melhora para você conseguir reabilitar com mais qualidade.

Importante: não existe “melhor para todo mundo”. A indicação depende do seu diagnóstico, do grau de artrose, inflamação, alinhamento, estabilidade e do seu objetivo.

Se você quer entender primeiro o que é o hidrogel e como funciona a indicação no consultório, comece aqui:
https://otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/hidrogel-no-joelho/

Resumo por objetivo (o que costuma fazer mais sentido)

A forma mais útil de comparar corticoide vs PRP vs hidrogel é por objetivo de curto, médio e longo prazo.

Objetivo A: dor aguda / crise inflamatória (alívio mais rápido)

  • Corticoide intra-articular costuma ser o mais associado a alívio mais rápido, especialmente quando há componente inflamatório e crise de dor.
  • Em geral, é visto como medida de curto prazo e “ponte” para retomar o fortalecimento.

Objetivo B: médio prazo (melhorar função e sustentar reabilitação)

  • PRP e hidrogel costumam ser discutidos quando o foco é melhora progressiva nas semanas seguintes, buscando apoiar função e reabilitação.
  • A resposta varia muito de pessoa para pessoa e depende do protocolo, do tipo de produto e do perfil do joelho.

Objetivo C: manutenção por meses (reduzir crises e sustentar controle de sintomas)

  • Alguns estudos com hidrogel (poliacrilamida / iPAAG/PAAG) descrevem melhora de dor e função mantida por períodos mais longos em parte dos pacientes, mas isso não é promessa individual.
  • PRP também é buscado por alguns pacientes pensando em médio/longo prazo, mas diretrizes e evidências são mais heterogêneas.

O que é cada opção (sem “marketing”, só o essencial)

Corticoide intra-articular (corticosteroide)

O que é: anti-inflamatório aplicado dentro da articulação.
Proposta: reduzir dor e inflamação, geralmente com início mais rápido.
O que NÃO é: não “repara” cartilagem e não muda sozinho a progressão da artrose.

Quando costuma entrar na conversa:

  • crise dolorosa com componente inflamatório/sinovite
  • necessidade de aliviar dor para voltar a caminhar/treinar com reabilitação guiada

Pontos de atenção:

  • o efeito tende a ser limitado no tempo e repetição frequente deve ser discutida com cautela (risco/benefício individual).

 

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PRP (Plasma Rico em Plaquetas)

O que é: concentrado de plaquetas obtido do próprio sangue, aplicado no joelho.
Proposta: tentar modular sintomas e função por mecanismos biológicos (o que varia conforme preparo).

O grande “porém” do PRP:

  • existe muita variação entre preparos, concentração, ativação e protocolos — isso faz com que “PRP” não seja uma coisa única.

Quando costuma entrar na conversa:

  • artrose leve a moderada em casos selecionados
  • pacientes que buscam alternativa biológica e aceitam que resposta é variável e depende do protocolo/qualidade do preparo

Leia também: Hidrogel vs Ácido Hialurônico 

Hidrogel (poliacrilamida / iPAAG/PAAG) – quando o assunto é artrose do joelho

O que é: material em gel aplicado dentro da articulação (em alguns estudos, com aplicação única).
Proposta: controle de dor e melhora funcional de forma progressiva, apoiando reabilitação e rotina.

Quando costuma entrar na conversa:

  • artrose sintomática em casos selecionados
  • quando o objetivo é ter uma estratégia injetável pensando em controle por meses, com acompanhamento e plano completo de reabilitação

Comparação “vida real”: tempo para agir e duração típica (sem promessas)

De forma prática, pense assim:

  • Corticoide: tende a agir mais rápido → frequentemente usado como ferramenta de crise (curto prazo).
  • PRP: costuma ser mais “progressivo” → melhora em semanas, variando por protocolo e paciente.
  • Hidrogel: também costuma ser progressivo → alguns estudos sugerem manutenção de melhora por períodos mais longos em parte dos pacientes, mas depende do caso.

A duração real depende de: grau de artrose, inflamação, alinhamento, IMC/peso, força muscular, padrão de impacto, estabilidade do joelho e adesão ao fortalecimento.

Tabela comparativa por objetivo (rápida para escanear)

Objetivo do tratamentoCorticoidePRPHidrogel (iPAAG/PAAG)
Dor aguda / criseGeralmente é o mais usado quando o foco é alívio mais rápidoPode não ser a primeira escolha para crise imediataGeralmente não é “alívio imediato”; costuma ser progressivo
Médio prazo (reabilitar melhor)Ajuda como “ponte” se a dor está travando o fortalecimentoPode ser discutido (caso a caso)Pode ser discutido (caso a caso)
Manutenção por mesesMenos focado em manutenção; efeito tende a ser limitadoAlguns pacientes buscam por isso, mas a evidência é heterogêneaAlguns estudos sugerem benefício sustentado em parte dos pacientes
Ponto crítico de decisãoSe há sinovite/crise e necessidade de aliviar rápidoQualidade do preparo e protocolo; expectativa realistaSeleção do paciente + plano de reabilitação + alinhamento de expectativa

“Como escolher” na consulta (modelo simples e honesto)

Uma boa decisão costuma seguir este roteiro:

1) Confirmar o diagnóstico (artrose? sinovite? menisco com sintomas mecânicos? instabilidade?)
2) Definir objetivo principal (alívio rápido vs médio prazo vs manutenção)
3) Avaliar fatores que reduzem resposta (sobrecarga, desalinhamento, fraqueza, IMC, impacto)
4) Escolher a opção (corticoide/PRP/hidrogel) como parte do plano, não como tratamento isolado
5) Definir janela de reavaliação (ex.: 4–6 e 8–12 semanas) e critérios de sucesso (dor, função, escada, caminhada)

Quando é melhor adiar infiltração e investigar (alertas)

Procure avaliação antes de qualquer infiltração se houver:

  • febre, calafrios, vermelhidão importante e calor local com piora progressiva (suspeita de infecção)
  • ferida/infecção de pele no local de punção
  • dor muito intensa com incapacidade súbita e sinais sistêmicos
  • uso de anticoagulantes ou imunossupressores (precisa planejamento individual)
  • cirurgia programada (o timing deve ser discutido)

Leia sobre: Hidrogel no Joelho: Riscos, Efeitos Colaterais e Segurança

Perguntas frequentes (FAQ)

“Qual é melhor para artrose?”

Depende do objetivo. Se o foco é dor aguda, o corticoide costuma ser mais discutido. Se o foco é médio prazo e função, PRP ou hidrogel podem entrar na conversa em casos selecionados — sempre com plano de fortalecimento.

“Dá para fazer e voltar a treinar?”

Em geral, há orientação de evitar impacto por um curto período e retornar progressivamente, mas isso varia conforme a substância e seu quadro. O ideal é alinhar o plano com o médico e com a fisioterapia.

“Se eu já fiz corticoide, posso fazer PRP ou hidrogel depois?”

Pode ser possível em alguns casos, mas depende do diagnóstico, do intervalo, do objetivo atual e do histórico do joelho.

“Isso substitui fisioterapia?”

Não. Na maioria dos casos, o ganho mais consistente vem do fortalecimento e controle de carga. A infiltração pode ajudar você a conseguir fazer isso melhor.

Fontes utilizadas:

 

https://www.aaos.org/globalassets/quality-and-practice-resources/osteoarthritis-of-the-knee/oak3cpg.pdf
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10518852/
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8414628/
https://www.esceo.org/sites/esceo/files/pdf/Bannuru_O%26C_OARSIguidelines_2019.pdf
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11064315/
https://arthrosamid.ams3.cdn.digitaloceanspaces.com/new-uploads/Clinical-Articles/Polyacrylamide-hydrogel-injection-for-knee-osteoarthritis-results-of-a-52-week-prospective-study-OARSI-Journal.pdf

O Autor

Dr. Otávio Melo é médico ortopedista especialista em joelho na cidade de Belo Horizonte. Com uma abordagem que integra tratamentos inovadores e tecnológicos para a saúde ortopédica, atua na prevenção e tratamento de lesões.

Buscando sempre soluções menos invasivas e focadas na recuperação completa dos pacientes, sua experiência em medicina regenerativa é um diferencial para quem busca resultados duradouros.

Curriculum Resumido

  • Medicina – Faculdade de Ciências Médicas – Belo Horizonte – MG
  • Especialização em Cirurgia do Joelho – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • Pós Graduação – Dr. Lair Ribeiro
  • Mestrado em Medicina – Santa Casa de Belo Horizonte
  • Doutorado em Saúde Baseada em Evidências (Creditos) – UNIFESP 
  • Medicina Funcional Integrativa – Dr. Victor Sorrentino
  • Clínica da Dor – Hospital das Clínicas da UFMG
  • Medicina Regenerativa – UNICAMP
  • Fellowship em Cirurgia do Joelho – Hôpital de La Croix Rousse – Lyon – França
  • Residência em Ortopedia e Traumatologia – SBOT/MEC – Brasília-DF
  • Técnico em Química – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
  • SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
  • SBRATE – Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte
  • SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício
  • SBCJ – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
  • SMBTOC – Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
  • SBPML – Sociedade Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal
  • ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy
  • ISAKOS – International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine
  • ICRS – International Cartilage Repair Society
  • AAOS – American Academy of Orthopaedic Surgeons
  • ABOOM – Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo
  • ABPMR – Associação Brasileira de Pesquisa em Medicina Regenerativa
  • SBRET – Sociedade Brasileirta de Regeneração Tecidual
  • SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia
  • ABUM – Associação Brasileira de Ultrassonografia Musculoesquelética
  • CEO do Instituto Regenius
  • Médico Ortopedista 
  • Segundo-Tenente Médico do Exército Brasileiro (R/2)
  • Ex-Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
  • Ex-Professor da Faculdade de Ciências Médias de Minas Gerais (CMMG) – Belo Horizonte / MG
  • Ex-Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB)
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