Hidrogel vs Ácido Hialurônico no Joelho: Diferenças reais e quando cada um faz sentido
Quem pesquisa “injeção no joelho” geralmente chega a duas opções muito faladas: ácido hialurônico (viscossuplementação) e hidrogel (em especial alguns hidrogéis estudados para artrose, como iPAAG).
Ambas são injeções intra-articulares usadas em casos selecionados para ajudar no controle da dor e melhora da função, especialmente quando há desgaste/artrose. Mas elas não são a mesma coisa, e a escolha depende do perfil do joelho, dos objetivos do paciente e do plano completo (reabilitação, fortalecimento, controle de carga, peso e biomecânica).
Aviso importante: não existe “melhor para todo mundo”. A resposta pode variar bastante e a decisão deve ser individualizada em consulta.
Leia também (página principal do tratamento):
https://otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/hidrogel-no-joelho/
Resumo rápido (diferenças reais)
- Ácido hialurônico (HA): é uma “viscossuplementação” — uma substância naturalmente presente no líquido articular que, quando injetada, busca melhorar a lubrificação e ajudar nos sintomas em casos selecionados.
- Hidrogel (ex.: iPAAG): é um material em gel com comportamento diferente dentro da articulação. Em estudos recentes, alguns produtos foram avaliados com aplicação única e acompanhamento prolongado.
- Tempo para começar a agir: em geral, ambos tendem a agir de forma progressiva (semanas), não “na hora”.
- Duração: é variável para os dois. Em alguns estudos, certos hidrogéis mostram benefício sustentado por períodos mais longos em parte dos pacientes — mas isso não é garantia individual.
- Diretrizes: recomendações sobre HA variam entre entidades (há diretrizes que não recomendam o uso “de rotina”), por isso a decisão costuma ser baseada em decisão compartilhada (médico + paciente), contexto e preferência.
O que é ácido hialurônico no joelho (viscossuplementação)
O ácido hialurônico é uma substância que existe naturalmente no líquido sinovial, ajudando a lubrificar a articulação e a amortecer cargas. Na artrose, pode haver alteração desse ambiente articular — e a proposta da viscosuplementação é tentar melhorar sintomas em casos selecionados.
Como costuma ser feito
Existem diferentes formulações e esquemas (dependendo do produto e do planejamento):
- dose única, ou
- séries/ciclos (por exemplo, 3 aplicações), em alguns protocolos.
O que esperar (sem promessa)
O objetivo geralmente é:
- reduzir dor;
- melhorar função (caminhar, escada, rotina);
- diminuir crises em alguns pacientes.
O que é hidrogel no joelho (quando falamos de iPAAG/PAAG)
“Hidrogel” pode ser um termo amplo, mas, quando falamos de evidência clínica recente em artrose, um dos mais citados é o hidrogel de poliacrilamida injetável (iPAAG), usado em estudos para osteoartrite do joelho.
Como costuma ser feito
Em ensaios clínicos e estudos observacionais, é comum aparecer como:
- injeção única intra-articular, com acompanhamento ao longo de meses (e, em alguns estudos, anos).
O que esperar (sem promessa)
A proposta costuma ser:
- melhora gradual de dor e função;
- apoio para reabilitação e melhora de tolerância às atividades.
Leia também sobre: Quando tempo dura o hidrogel, e quando começa a fazer efeito
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Comparativo prático: o que muda na vida real
Mecanismo/“perfil” do produto (sem complicar)
- HA: foca em viscosidade/lubrificação e efeito “amortecedor” do ambiente articular.
- Hidrogel (iPAAG): material em gel com comportamento intra-articular diferente, estudado com foco em alívio sintomático sustentado em alguns perfis.
Protocolo e logística
- HA: pode envolver série (dependendo do produto e estratégia) ou dose única em alguns casos.
- Hidrogel (iPAAG): frequentemente aparece em estudos como dose única, com reavaliação e plano de manutenção.
Tempo para começar a agir
Para os dois, o mais comum é:
- melhora progressiva ao longo de semanas;
- reavaliação clínica típica em 4–6 semanas e mais claramente em 8–12 semanas (conforme orientação do seu médico).
Duração do efeito
Em ambos, a duração é variável e depende de:
- grau de artrose, inflamação, alinhamento e estabilidade;
- IMC/peso, força muscular e padrão de carga/impacto;
- adesão ao fortalecimento e controle de carga.
Tabela comparativa (objetiva e fácil de escanear)
| Ponto | Ácido hialurônico (HA) | Hidrogel (ex.: iPAAG) |
|---|---|---|
| Objetivo principal | Melhorar lubrificação/ambiente articular e sintomas em casos selecionados | Melhorar sintomas e ambiente articular em casos selecionados, com proposta de efeito sustentado em alguns estudos |
| Início do efeito | Geralmente progressivo (semanas) | Geralmente progressivo (semanas) |
| Protocolo comum | Dose única ou séries/ciclos (depende do produto) | Em estudos recentes, frequentemente dose única |
| Duração | Variável (pode durar meses, dependendo do caso) | Variável; alguns estudos mostram benefício mantido por períodos mais longos em parte dos pacientes |
| Para quem costuma ser discutido | Artrose leve a moderada com sintomas persistentes, caso a caso | Artrose sintomática em casos selecionados, especialmente quando se busca alternativa injetável e planejamento de longo prazo |
| Limitações | Resposta variável; há diretrizes que não recomendam uso “de rotina” | Resposta variável; disponibilidade, custo e seleção do paciente influenciam |
| O que melhora resultado | Fortalecimento + controle de carga + alinhamento de expectativa | Fortalecimento + controle de carga + alinhamento de expectativa |
O que as diretrizes dizem (e por que você encontra informações diferentes)
É comum o paciente ficar confuso porque algumas diretrizes:
- não recomendam HA como rotina na artrose do joelho,
- enquanto outros documentos e práticas clínicas consideram que pode haver subgrupos e situações em que o médico discute o uso.
O principal aqui é entender a forma correta de usar isso:
- diretriz orienta, mas não substitui a avaliação individual;
- a decisão deve considerar seu quadro, seus objetivos e preferências, e o plano completo de reabilitação.
Na prática clínica: quando a indicação é bem selecionada e existe um plano de fortalecimento/controle de carga, a infiltração pode ser uma ferramenta — não um “tratamento isolado”.
Quando o ácido hialurônico costuma fazer sentido (exemplos)
Sem regra absoluta, pode ser discutido quando:
- há artrose leve a moderada com sintomas persistentes;
- o paciente quer uma opção com ampla utilização histórica e disponibilidade;
- há preferência por um protocolo específico (dose única ou série, conforme avaliação do médico);
- o objetivo é reduzir sintomas para permitir melhor reabilitação.
Checklist “pode fazer sentido se…”
- o diagnóstico e o alvo da dor foram bem definidos;
- não há sinais de alerta (febre, suspeita de infecção, ferida no local);
- expectativa realista (melhorar sintomas e função, não “curar” artrose);
- existe (ou vai existir) plano de fortalecimento e controle de carga.
Quando o hidrogel costuma fazer sentido (exemplos)
Pode ser discutido quando:
- há artrose sintomática e o médico entende que o perfil do paciente se encaixa;
- existe necessidade de uma estratégia injetável com foco em controle de sintomas e planejamento de longo prazo;
- a logística de dose única e acompanhamento é interessante (conforme o produto e o caso);
- o paciente já tentou medidas conservadoras e precisa “abrir janela” para reabilitação.
Checklist “pode fazer sentido se…”
- o grau de artrose e alinhamento foram avaliados;
- há um plano claro de fortalecimento e retorno progressivo à atividade;
- o paciente entende que resposta e duração variam;
- há acompanhamento para ajustar estratégia se a resposta não for a esperada.
Quando nenhuma das duas é prioridade (ou exige cautela extra)
- suspeita de infecção, febre, ferida/infecção de pele no local;
- dor intensa com piora rápida e sinais sistêmicos;
- planejamento cirúrgico próximo (timing deve ser discutido);
- uso de anticoagulantes/imunossupressão (decisão individual).
Como decidir na consulta (modelo simples de decisão compartilhada)
1) Confirmar diagnóstico e “fonte” da dor (artrose? inflamação? instabilidade? menisco com sintomas mecânicos?)
2) Definir objetivo principal (dor, função, reduzir crises, conseguir fortalecer)
3) Mapear fatores que reduzem chance de resposta (sobrecarga, desalinhamento, fraqueza, impacto alto)
4) Discutir opções (HA vs hidrogel vs outra estratégia) + plano de reabilitação
5) Definir janela de reavaliação (ex.: 4–6 e 8–12 semanas) e critérios de sucesso
Perguntas frequentes (FAQ)
Hidrogel é “melhor” que ácido hialurônico?
Não existe “melhor para todo mundo”. Há estudos comparando certos hidrogéis com HA mostrando eficácia e segurança semelhantes em prazos específicos, mas a escolha depende do seu caso, do produto, do protocolo e do plano completo.
Qual dura mais?
Pode variar para ambos. A duração depende do seu joelho e do seu plano (fortalecimento, controle de carga, peso, biomecânica), além do produto utilizado.
Se eu já fiz ácido hialurônico e não melhorou, hidrogel pode ser alternativa?
Pode ser uma conversa possível em consulta — desde que o diagnóstico esteja correto, haja plano de reabilitação e a indicação seja bem selecionada.
Posso fazer infiltração e continuar na academia?
Geralmente há orientação de evitar impacto por 24–48 horas e retornar progressivamente, mas o plano ideal depende do seu quadro e do que foi aplicado.
Fontes utilizadas:
https://www.aaos.org/globalassets/quality-and-practice-resources/osteoarthritis-of-the-knee/oak3cpg.pdf
https://orthoinfo.aaos.org/en/treatment/viscosupplementation-treatment-for-knee-arthritis/
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10518852/
https://rheumatology.org/press-releases/american-college-of-rheumatology-arthritis-foundation-release-updated-treatment-guideline-for-osteoarthritis
https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/Recommendations
https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/rationale-and-impact
https://www.clinexprheumatol.org/article.asp?a=20140
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38525999/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41487107/
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11064315/
O Autor
Dr. Otávio Melo é médico ortopedista especialista em joelho na cidade de Belo Horizonte. Com uma abordagem que integra tratamentos inovadores e tecnológicos para a saúde ortopédica, atua na prevenção e tratamento de lesões.
Buscando sempre soluções menos invasivas e focadas na recuperação completa dos pacientes, sua experiência em medicina regenerativa é um diferencial para quem busca resultados duradouros.
Curriculum Resumido
Formação
- Medicina – Faculdade de Ciências Médicas – Belo Horizonte – MG
- Especialização em Cirurgia do Joelho – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
- Pós Graduação – Dr. Lair Ribeiro
- Mestrado em Medicina – Santa Casa de Belo Horizonte
- Doutorado em Saúde Baseada em Evidências (Creditos) – UNIFESP
- Medicina Funcional Integrativa – Dr. Victor Sorrentino
- Clínica da Dor – Hospital das Clínicas da UFMG
- Medicina Regenerativa – UNICAMP
- Fellowship em Cirurgia do Joelho – Hôpital de La Croix Rousse – Lyon – França
- Residência em Ortopedia e Traumatologia – SBOT/MEC – Brasília-DF
- Técnico em Química – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Afiliações
- SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
- SBRATE – Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte
- SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício
- SBCJ – Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho
- SMBTOC – Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
- SBPML – Sociedade Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal
- ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy
- ISAKOS – International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine
- ICRS – International Cartilage Repair Society
- AAOS – American Academy of Orthopaedic Surgeons
- ABOOM – Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo
- ABPMR – Associação Brasileira de Pesquisa em Medicina Regenerativa
- SBRET – Sociedade Brasileirta de Regeneração Tecidual
- SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia
- ABUM – Associação Brasileira de Ultrassonografia Musculoesquelética
Atuação
- CEO do Instituto Regenius
- Médico Ortopedista
- Segundo-Tenente Médico do Exército Brasileiro (R/2)
- Ex-Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
- Ex-Professor da Faculdade de Ciências Médias de Minas Gerais (CMMG) – Belo Horizonte / MG
- Ex-Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB)